quinta-feira, 13 de julho de 2017

NÃO PRECISAMOS DE ARTISTAS NO CULTO, MAS DE PREGADORES

As discussões nestes dias estão acirradas por causa de um vídeo postado pela Redeemer Presbyterian Church de três jovens dançando no que seria um palco diante da mesa da ceia já posta em um culto solene. 

A única informação que temos da suposta dança litúrgica é o eu título: life together (vida juntos). Para variar, não entendi a mensagem comunicada. Bom, não sei mesmo do que se trata.  Arisco-me dizer que tentaram associar a performance daqueles rapazes com a Trindade. De fato, eu não sei. Se fizeram com essa intenção, quebraram o primeiro e o segundo mandamento.

Entretanto, o Rev. Tim Keller, que é um dos pastores desta igreja, obviamente defendendo as suas preciosas ovelhas saltitantes de sapatilhas afirmou que: "a igreja precisa de artistas porque sem a arte não podemos chegar ao mundo." [1]  

Mas, a pergunta que faço é, onde Tim Keller quer chegar com tudo isso se, nem mesmo ficou claro que mensagem esta coreografia comunicou? Mas, ele diz mais (ou a mesma coisa, de novo): "Precisamos de artistas cristãos porque nunca vamos chegar ao mundo sem grande arte cristã para ir com uma grande conversa cristã ".

O problema é que muitos não percebem o grande perigo por trás desta fala. Vamos aqui desconsiderar os rapaizinhos delicados no palco (já acho muito estranho dizer que tem palco dentro de um templo) em sua performance tão sem sentido e que por is só já estão em sérios problemas por acrescentarem um elemento estranho ao culto solene (pelo menos a mesa da ceia estava lá para constatar isto). 

O que Tim Keller disse afeta não só o princípio regulador do culto, mas também, o meio em que a salvação é comunicada aos eleitos. O que ele diz provoca uma clara confusão em que, muitas pessoas serão induzidas a concluir que a arte também é capaz de fazer a mesma coisa que a pregação. É como se elas estivessem equiparadas no mesmo grau de autoridade e de necessidade.

A realidade infelizmente, em nossos dias mostra que os cristãos não sabem discernir o que a Bíblia diz em relação ao que está acontecendo na atualidade. Não sabem discernir os tempo em que vivem. Posso dizer com toda tranquilidade que o cristão de hoje não sabe distinguir o que é arte e o que é culto a Deus. E isto não é uma questão secundária como muitos pormenorizam, mas, afeta nocivamente coisas essenciais à fé cristã. 

Eu não nego que precisamos de artistas cristãos. Sim! É claro que precisamos, e, como precisamos! Mas, a própria Escritura nos designa cada um em sua própria esfera de atuação. A arte em todas as suas performances e categorias (teatro, dança, música, literatura, escultura, pintura e cinema) são muito abrangentes e tem um amplo campo de atuação na humanidade. Ela tem uma beleza distinta em sua jurisdição e por isso deve ser apreciada pelos homens para a glória de Deus.

Ela tem os seus espaços de atuação pública (como em um Teatro ou sala de concerto) ou privada (o rádio, o ipod, celular, TV). A arte envolve as pessoas no entretenimento e informação que, de modo geral são limitados em seu conteúdo mas, ao mesmo tempo é capaz de nos envolver emocionalmente com o conceito ou propósito estabelecido em sua performance. 

Considerando que a pregação da Palavra é um elemento de culto, antes de tudo, ela é distinta de qualquer outra atividade seja fora ou dentro do culto solene. Ela é considerada a parte principal do culto por causa do que ela comunica de maneira singular: o Evangelho. Se o culto está centrado neste Livro Sagrado, então não há outra conclusão a se ter que, realmente a pregação é indispensável a Igreja na adoração pública. 

A pregação enquanto uma atividade também pública, não tem como objetivo transmitir uma mensagem limitada a revelação natural de Deus, como faz a arte. Pelo contrário, A pregação lida com a comunicação divina da revelação especial. A arte neste aspecto não é capaz de fazer o que a pregação faz. Por isso, entendam uma coisa: artistas e pregadores ocupam vocações diferentes. Ambos visam a glória de Deus no que fazem? Sim, é claro que a glória de Deus e o fim último de tudo o que se faz. Mas, a pregação é a mais sublime de todas as vocações e atividades.  

Outro aspecto importante sobre a arte é que a sua abrangência a limita em relação a sua mensagem porque usa recursos que nem sempre o comunica verbalmente. E até mesmo, a música e a literatura são limitadas neste aspecto. Até porque, as duas únicas modalidades artísticas presentes no culto solene são estas (música e a linguagem escrita e verbal). 

Mas, em relação a pregação, pode-se constatar o contrário. A Bíblia não é um livro de conteúdo literário a ser apreciado como arte, mas, é a voz de Deus ao coração do pecador. O seu arauto fala de uma autoridade derivada de Cristo para anunciar salvação ou condenação. A Bíblia não é instrumento de entretenimento, mas, de invocação e confissão do nome do SENHOR. A pregação tem este caráter autoritativo, o que a arte em suas esferas não tem. A arte em sua beleza natural pode ecoar as verdades do evangelho. Mas, a pregação é o próprio Deus falando à pecadores em uma assembleia solene (2a Co 5: 18-20). 

A pregação não é meramente um recurso da oratória e do discurso, mas, é Cristo como o rei da Igreja falando aos seus súditos todos os seus decretos. É o Salvador e Senhor da Igreja nutrindo a fé do seu povo. Claramente se vê que a pregação tem uma beleza distinta e mais sublime do que a arte. ao mesmo tempo, o culto é uma atividade tão séria e essencial ao homem que ele não é  colocado em uma posição qualquer, mas, ele é reconhecido como pecador que está sendo advertido por um juiz (2ª Timóteo 4: 1-2). 

Por último, Sei que muitos vão dizer: "você está limitando o poder e a eficácia do Espírito Santo e dizer que Ele só fala por meio da pregação. Não! Eu não disse isso. Pelo contrário. Sabemos que o Espírito Santo é Deus assim como o Pai e o Filho. O Espírito Santo age em tudo e em todos. Isto não é diferente com o artista. 

Mas, Sua operação é especial quando usa o pregador da Palavra porque a Sua Palavra é mais sublime do que qualquer coisa. Deus estima a si mesmo de maneira que Ele zela pela Sua própria glória por meio da fiel exposição e anúncio da Sua Palavra. 

Portanto, a arte pode sim, transmitir verdades da revelação natural, como também, reconheço que também pode ser usada para transmitir as verdades do evangelho - se fosse assim, não receberíamos a ordem das Escrituras para cantar os Salmos, hinos e cânticos espirituais. Mas, ela não é capaz de ser arauto em si mesma do evangelho como um pregador é ordenado a fazer. 

A música, por exemplo, usada como elemento de culto (mesmo sendo uma expressão artística) está mui limitada ao princípio regulador do culto, porque ela é serve (auxilia) a pregação no culto solene. e por isso, ela está limitada apenas ao canto congregacional no culto. 

Mais ainda dizer que a dança enquanto uma atividade artística está proibida porque ela não é elemento de culto. Suas expressão corporais não são capazes de verbalizar a Palavra de Deus. considerando isso, a arte em si mesma não é capaz de pregar. O ministro da Palavra, usado pelo Espírito Santo em seus dons e autoridade espiritual no púlpito Sim! 

Quero, portanto, concluir dizendo que, precisamos sim de artistas cristãos no Teatro, nas praças, nos estúdios, nas rádios, mídia em geral e todos os meios possíveis que possam alcançar a humanidade. A Bíblia não limita a arte em seu uso a sociedade de modo geral. Mas, em se tratando do culto solene, não precisamos de artistas e sim de pregadores fieis a Palavra!

 [1] Clique aqui para ler o texto completo de Tim Keller