quinta-feira, 13 de julho de 2017

NÃO PRECISAMOS DE ARTISTAS NO CULTO, MAS DE PREGADORES

As discussões nestes dias estão acirradas por causa de um vídeo postado pela Redeemer Presbyterian Church de três jovens dançando no que seria um palco diante da mesa da ceia já posta em um culto solene. 

A única informação que temos da suposta dança litúrgica é o eu título: life together (vida juntos). Para variar, não entendi a mensagem comunicada. Bom, não sei mesmo do que se trata.  Arisco-me dizer que tentaram associar a performance daqueles rapazes com a Trindade. De fato, eu não sei. Se fizeram com essa intenção, quebraram o primeiro e o segundo mandamento.

Entretanto, o Rev. Tim Keller, que é um dos pastores desta igreja, obviamente defendendo as suas preciosas ovelhas saltitantes de sapatilhas afirmou que: "a igreja precisa de artistas porque sem a arte não podemos chegar ao mundo." [1]  

Mas, a pergunta que faço é, onde Tim Keller quer chegar com tudo isso se, nem mesmo ficou claro que mensagem esta coreografia comunicou? Mas, ele diz mais (ou a mesma coisa, de novo): "Precisamos de artistas cristãos porque nunca vamos chegar ao mundo sem grande arte cristã para ir com uma grande conversa cristã ".

O problema é que muitos não percebem o grande perigo por trás desta fala. Vamos aqui desconsiderar os rapaizinhos delicados no palco (já acho muito estranho dizer que tem palco dentro de um templo) em sua performance tão sem sentido e que por is só já estão em sérios problemas por acrescentarem um elemento estranho ao culto solene (pelo menos a mesa da ceia estava lá para constatar isto). 

O que Tim Keller disse afeta não só o princípio regulador do culto, mas também, o meio em que a salvação é comunicada aos eleitos. O que ele diz provoca uma clara confusão em que, muitas pessoas serão induzidas a concluir que a arte também é capaz de fazer a mesma coisa que a pregação. É como se elas estivessem equiparadas no mesmo grau de autoridade e de necessidade.

A realidade infelizmente, em nossos dias mostra que os cristãos não sabem discernir o que a Bíblia diz em relação ao que está acontecendo na atualidade. Não sabem discernir os tempo em que vivem. Posso dizer com toda tranquilidade que o cristão de hoje não sabe distinguir o que é arte e o que é culto a Deus. E isto não é uma questão secundária como muitos pormenorizam, mas, afeta nocivamente coisas essenciais à fé cristã. 

Eu não nego que precisamos de artistas cristãos. Sim! É claro que precisamos, e, como precisamos! Mas, a própria Escritura nos designa cada um em sua própria esfera de atuação. A arte em todas as suas performances e categorias (teatro, dança, música, literatura, escultura, pintura e cinema) são muito abrangentes e tem um amplo campo de atuação na humanidade. Ela tem uma beleza distinta em sua jurisdição e por isso deve ser apreciada pelos homens para a glória de Deus.

Ela tem os seus espaços de atuação pública (como em um Teatro ou sala de concerto) ou privada (o rádio, o ipod, celular, TV). A arte envolve as pessoas no entretenimento e informação que, de modo geral são limitados em seu conteúdo mas, ao mesmo tempo é capaz de nos envolver emocionalmente com o conceito ou propósito estabelecido em sua performance. 

Considerando que a pregação da Palavra é um elemento de culto, antes de tudo, ela é distinta de qualquer outra atividade seja fora ou dentro do culto solene. Ela é considerada a parte principal do culto por causa do que ela comunica de maneira singular: o Evangelho. Se o culto está centrado neste Livro Sagrado, então não há outra conclusão a se ter que, realmente a pregação é indispensável a Igreja na adoração pública. 

A pregação enquanto uma atividade também pública, não tem como objetivo transmitir uma mensagem limitada a revelação natural de Deus, como faz a arte. Pelo contrário, A pregação lida com a comunicação divina da revelação especial. A arte neste aspecto não é capaz de fazer o que a pregação faz. Por isso, entendam uma coisa: artistas e pregadores ocupam vocações diferentes. Ambos visam a glória de Deus no que fazem? Sim, é claro que a glória de Deus e o fim último de tudo o que se faz. Mas, a pregação é a mais sublime de todas as vocações e atividades.  

Outro aspecto importante sobre a arte é que a sua abrangência a limita em relação a sua mensagem porque usa recursos que nem sempre o comunica verbalmente. E até mesmo, a música e a literatura são limitadas neste aspecto. Até porque, as duas únicas modalidades artísticas presentes no culto solene são estas (música e a linguagem escrita e verbal). 

Mas, em relação a pregação, pode-se constatar o contrário. A Bíblia não é um livro de conteúdo literário a ser apreciado como arte, mas, é a voz de Deus ao coração do pecador. O seu arauto fala de uma autoridade derivada de Cristo para anunciar salvação ou condenação. A Bíblia não é instrumento de entretenimento, mas, de invocação e confissão do nome do SENHOR. A pregação tem este caráter autoritativo, o que a arte em suas esferas não tem. A arte em sua beleza natural pode ecoar as verdades do evangelho. Mas, a pregação é o próprio Deus falando à pecadores em uma assembleia solene (2a Co 5: 18-20). 

A pregação não é meramente um recurso da oratória e do discurso, mas, é Cristo como o rei da Igreja falando aos seus súditos todos os seus decretos. É o Salvador e Senhor da Igreja nutrindo a fé do seu povo. Claramente se vê que a pregação tem uma beleza distinta e mais sublime do que a arte. ao mesmo tempo, o culto é uma atividade tão séria e essencial ao homem que ele não é  colocado em uma posição qualquer, mas, ele é reconhecido como pecador que está sendo advertido por um juiz (2ª Timóteo 4: 1-2). 

Por último, Sei que muitos vão dizer: "você está limitando o poder e a eficácia do Espírito Santo e dizer que Ele só fala por meio da pregação. Não! Eu não disse isso. Pelo contrário. Sabemos que o Espírito Santo é Deus assim como o Pai e o Filho. O Espírito Santo age em tudo e em todos. Isto não é diferente com o artista. 

Mas, Sua operação é especial quando usa o pregador da Palavra porque a Sua Palavra é mais sublime do que qualquer coisa. Deus estima a si mesmo de maneira que Ele zela pela Sua própria glória por meio da fiel exposição e anúncio da Sua Palavra. 

Portanto, a arte pode sim, transmitir verdades da revelação natural, como também, reconheço que também pode ser usada para transmitir as verdades do evangelho - se fosse assim, não receberíamos a ordem das Escrituras para cantar os Salmos, hinos e cânticos espirituais. Mas, ela não é capaz de ser arauto em si mesma do evangelho como um pregador é ordenado a fazer. 

A música, por exemplo, usada como elemento de culto (mesmo sendo uma expressão artística) está mui limitada ao princípio regulador do culto, porque ela é serve (auxilia) a pregação no culto solene. e por isso, ela está limitada apenas ao canto congregacional no culto. 

Mais ainda dizer que a dança enquanto uma atividade artística está proibida porque ela não é elemento de culto. Suas expressão corporais não são capazes de verbalizar a Palavra de Deus. considerando isso, a arte em si mesma não é capaz de pregar. O ministro da Palavra, usado pelo Espírito Santo em seus dons e autoridade espiritual no púlpito Sim! 

Quero, portanto, concluir dizendo que, precisamos sim de artistas cristãos no Teatro, nas praças, nos estúdios, nas rádios, mídia em geral e todos os meios possíveis que possam alcançar a humanidade. A Bíblia não limita a arte em seu uso a sociedade de modo geral. Mas, em se tratando do culto solene, não precisamos de artistas e sim de pregadores fieis a Palavra!

 [1] Clique aqui para ler o texto completo de Tim Keller

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

POR QUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS? O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO

Se procurarmos uma definição para o culto reformado e porque o denominamos assim, não se trata apenas de uma questão histórica, ou seja, só porque ela está relacionada com os eventos da reforma protestante desde o século XVI. Antes de tudo, nem todos os que são simpatizantes ou pertencem a movimentos históricos iniciados no século dezesseis não podem ser declarados como reformados apenas porque são membros de igrejas históricas. Ser reformado vai além disso. Significa submeter-se a um sistema de ideias, pensamentos e conceitos estritamente bíblicos, e isto, em qualquer área da vida.

Mas, é notório a todos (pelo menos deveria ser) que os reformadores se preocuparam com o zelo que deveriam ter na adoração a Deus, já que, este é o ponto essencial da vida e da nossa existência. Eis o primeiro preceito reformado! Esta preocupação só tem seu ápice quando os reformadores foram arduamente despertados e capacitados por iluminação do Espírito Santo a se fadigarem nos estudos das Escrituras e ensinarem o povo a compreensão de que tudo deveria ser para a glória de Deus, a luz somente da Sua Palavra especialmente quando isto envolvia o culto solene no dia do Senhor.

Portanto, há uma estrita relação entre estes dois temas e que os coloca como ponto de partida e o estandarte da cosmovisão e teologia reformada: A adoração bíblica e o conhecimento das Escrituras. Sendo assim, é pertinente responder a pergunta que muitos fazem sobre o culto reformado. Por que tamanho “rigor” na forma de adorar a Deus? Por que tantas exigências e zelo no culto solene? Muitos pensam e declaram que isto é uma questão de tradição histórica e por isso a forma de culto na perspectiva reformada (se entenderem reformado como tradicional) está ultrapassada, é anti social, cultural e intelectualmente parada no tempo.

Primeiro, não confundam ser reformado com ser tradicional. Mas, veja bem, não sustentamos o modo de culto reformado por uma questão de tradição histórica. Igrejas ou denominações que fazem assim, estão sujeitas ao desmoronamento como um ovo que facilmente se quebra. Muitas igrejas locais se esfacelaram algumas até mesmo da noite para o dia exatamente porque sua fórmula de culto era, ou, é baseada apenas na tradição. Portanto, a tradição por si só não é a melhor definição para justificar porque somos tão zelosos com o culto solene.

Outros ousam afirmar que nos tornamos legalistas e até mesmo idólatras na liturgia. Eu creio que por causa do analfabetismo espiritual de muitas pessoas que são membros de igreja devo esclarecê-los o que é ser legalista: é praticar ou seguir uma religiosidade sem o evangelho de Cristo. É apenas fundamentar seu fervor religioso em princípios éticos e morais da Bíblia desconsiderando o evangelho.

E, isto também se aplica aqueles que realmente usam a tradição para justificar um culto mais paramentado ritos saturados de simbolismos. Em certa medida, eu não poderia negar que as igreja episcopais ou anglicanas tiveram um singelo avanço neste aspecto, mas, não se desligaram totalmente desses paramentos religiosos que os colocam em risco quanto a este problema. O episcopalismo protestante e muito menos o romanista pode ser comparado a forma como os reformados cultuam solenemente a Deus.

Sendo assim, qual a base para o culto reformado?

Simplesmente e essencialmente as Escrituras. Veja o que nos diz um de nossos documentos doutrinários legitimamente reformado:

A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras

Este que é o primeiro artigo do capítulo XXI da Confissão de Fé de Westminster ressalta dois pontos essenciais ao que estamos considerando em relação ao tema. Primeiro: O ser de Deus, os atributos e a majestade de Deus, a Sua revelação natural notória a todos os homens deste planeta em todo o percurso da história da humanidade. Segundo: A própria Escritura Sagrada que é a revelação especial, única da vontade de Deus principalmente quanto a necessidade, o modo, o lugar, quando, e por que devemos adorá-lo. A primeira, o homem é indesculpável diante de Deus de sua idolatria e incredulidade, enquanto que, a segunda, sem a revelação especial, que é a própria Sagrada Escritura, o homem não poderá prestar o verdadeiro culto a Deus.

Isto foi o que os reformadores chamaram de “Princípio Regulador do Culto”. Os crentes salvos em Jesus Cristo, todos eles seja da antiga como da nova aliança, só puderam e podem de fato prestar um verdadeiro culto a Deus por meio de Cristo Jesus como nos é muito bem estabelecido por Ele próprio à mulher samaritana. Jesus mesmo disse que a verdadeira adoração era em espírito e em verdade. A própria mulher samaritana reconheceu que o Messias era o restaurador deste culto verdadeiro. Mas, é o próprio Jesus quem se revela a ela dizendo: “Eu o sou, eu que falo contigo” (verso 26).  Sem a revelação não há culto a Deus. E a revelação especial nos é dada pela mediação do próprio Filho de Deus que nos conduz e nos dá acesso ao Pai. Se a revelação natural nos obriga a cultuar a Deus, a revelação especial quando atendida através de Cristo, nos torna habilitados graciosamente a adoração a Deus.

Portanto, os reformadores fizeram uma estrita e clara relação entre a revelação da Palavra de Deus a Sua Igreja com as normativas e princípios gerais para o culto público a Ele. Se a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática e ela mesma nos diz que a nossa existência tem como única razão glorificar a Deus, é a própria Escritura que nos instrui e nos ordena o que fazer, como fazer, quando e onde cultuar ao Senhor Deus. Repito mais uma vez que são normativas claras, objetivas e gerais ao povo de Deus. Considerando que o Princípio Regulador do Culto é a própria Palavra de Deus nos ordenando o culto devido a Ele, nós reformados fazemos o que fazemos por dois motivos simples: 1) A clara preocupação, zelo e amor ao ser de Deus, seus atributos e a exaltação de Sua glória. 2) fazer tudo quanto Ele mesmo em Sua Palavra tem nos ordenado pela mediação de Cristo.

Ainda, observe o que nos diz o Catecismo Maior de Westminster na pergunta e resposta 110:

Quais são as razões anexas ao segundo mandamento para lhe dar maior força?  

As razões anexas para o segundo mandamento, para lhe dar maior força, contidas nestas palavras: “Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Deus forte e zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e que usa de misericórdia até mil gerações com aqueles que me amam e que guardam os meus preceitos,” são, além da soberania de Deus sobre nós e o seu direito de propriedade em nós, o seu zelo fervoroso pelo seu culto e indignação vingadora contra todo o culto falso, considerando-o uma apostasia religiosa, tendo por inimigos os violadores desse mandamento e ameaçando puni-los até diversas gerações e tendo por amigos os que guardam os seus mandamentos, prometendo-lhes a misericórdia até muitas gerações.

A pergunta e resposta 110 do Catecismo Maior nos uma dimensão mais apurada sobre o sentido do Princípio Regulador do Culto. Deus exige de nós o culto que é devido a ele e da maneira dele porque Ele tem direitos sobre nós como suas criaturas. O salmo 150: 6 nos declara que todo ser que respira louve ao SENHOR. De forma ainda mais notável Deus exige de seu próprio povo o modo como Ele quer ser adorado. Eles mesmo se apresenta em Êxodo 20: 5 como o “EU SOU”. “O Deus zeloso que vinga a iniquidade dos pais e dos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e que usa de misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus preceitos (verso 6).”

Sendo assim, veja a importância destas duas grandes doutrinas bíblicas entrelaçadas uma a outra. O culto seja ele como for, se fora do padrão bíblico ou não, este sempre terá o seus caráter didático, autoritativo e religioso. Se fora das Escrituras, este culto exercerá autoridade e ensino para uma religiosidade frívola, pecaminosa, emburrecedora e idólatra. Mas, se no padrão bíblico como determinado por Deus em Sua Palavra, este culto produzirá vida no coração daqueles que buscam verdadeiramente a Cristo e gloriar-se na glória de Deus.

Eu não preciso dizer que povos, nações e países que experimentaram a obediência ao Princípio Regulador do Culto (que é a Bíblia) o que eles se tornaram. Como também o contrário, especialmente em nosso país também é um trágico exemplo de nossa idolatria e paganismo até mesmo entre os evangélicos. É impressionante verificar que os reformadores lutaram com todas as suas forças e investimentos para erradicar o analfabetismo bíblico do povo. Fizeram isto exatamente por um motivo apenas: A Igreja de Cristo deveria estar "saturada" das Escrituras para prestar o verdadeiro culto a Deus. Que Zelo!



terça-feira, 16 de agosto de 2016

AS CRIANÇAS DEVEM PARTICIPAR COM OS PAIS DO CULTO SOLENE? [1]

foto original do site Desiring God.

Robert, de Columbia, Carolina do Sul, pergunta: Pastor John, gostaria de saber se em algum momento é necessário separar as crianças dos adultos para alguma sala no momento do culto. Nossa igreja tem enfrentado este problema, pois muitas famílias têm crianças de 5 anos que são barulhentas. Temos 3 crianças com idades diferentes e com necessidades especiais na igreja (como autismo e síndrome de Down).[2] O Problema é: A maioria dos professores do departamento infantil querem entregar as crianças aos pais por se sentirem limitados em controlar o comportamento de seus filhos e porque desejam participar do culto com os outros adultos. O que deveríamos fazer?

John Piper responde: Eu espero que haja um líder muito corajoso em sua igreja porque lideres fracos nunca serão capazes de suportarem as críticas que virão se você tentar fazer o que vou lhe sugerir. Quando vim para a Bethlehem como pastor em 1980 uma das primeiras controversas que tive de lidar foi sobre as crianças no momento do culto. Até então não tínhamos muitas crianças, mas, aos poucos o número delas aumentou significativamente. Todos indagavam: O que vamos fazer? Não seria melhor um sermão infantil no meio do culto? Mas, e o atraso de 3 minutos até as crianças irem a frente? Então, não seria melhor um momento separado de adoração só para elas? E quando elas completarem 13 anos e tiverem que retornar ao templo? O que vamos fazer?[3]

Desta forma, eu e minha esposa Noel, resolvemos escrever um artigo para todos os membros de nossa igreja argumentando que não existia uma igreja de crianças separada dos adultos. e sendo assim, não deveria existir sermões infantis no momento do culto. Naquele momento nos sentimos fortes o suficiente para tratarmos deste assunto com nossa igreja porque estávamos seguros do que era correto. Por isso entendemos também que os pais e responsáveis pelas suas crianças com menos de 4 anos deveriam fazer é estar junto com elas no momento do culto. Sendo assim, nós oferecemos um berçário para ajuda-los na orientação e preparação de seus filhos pequenos na participação do culto solene. [4]

Esse artigo está no site do Desiring God intitulado: “A família: juntos na presença de Deus” (The Family: Together in God’s Presence). Vou mencioná-lo aqui, mas, prefiro não entrar no mérito desta questão de: como controlar as crianças no momento do culto? Essa foi a parte que minha esposa escreveu. Sendo assim, espero que o que vou dizer seja suficiente para lhe provocar e ao menos atrair a sua atenção, para que você mesmo procure no site o artigo e leia o que a minha esposa escreveu sobre este ponto. Mas, a grande questão disso tudo está no conceito de culto, de paternidade e de como as coisas são ensinadas as nossas crianças.

Por isso, deixe-me compartilhar alguns pensamentos que estão neste artigo. A adoração centrada em Deus é extremamente importante na vida familiar e na vida da igreja. Nos meus 33 anos de pastorado sempre nos aproximamos do culto dominical da manhã com enorme expectativa e seriedade. Pense em uma alegria séria, uma alegria reverente e profunda. Sempre fomos um povo alegre em Bethlehem. Contudo, procuramos evitar no culto tudo aquilo que é irreverente, trivial, desordenado e agitado. Nem todos os cultos são agitados. Penso que o domingo pela manhã é como estar no momento da transfiguração, ou seja, um lugar incrível de glória onde você prostra o seu rosto quase que sem palavras na presença de Deus. Da mesma forma no domingo a noite, no culto de quarta-feira, seja qual for o dia. É como o monte das Oliveiras, um lugar familiar onde Jesus se assentou ensinou sobre diversas coisas aos seus discípulos. Da mesma forma deve ser também com a igreja.

Nós nunca tivemos um sermão infantil como parte do culto de domingo de manhã. Acreditamos que embora um sermão infantil possa ser divertido para as crianças, mas, ao longo do tempo isto enfraqueceria o aspecto espiritual e a seriedade da adoração solene. “Há tempo para tudo” (ver Eclesiastes 3: 1) e isto é fundamental. As pessoas acham que tudo tem que ser colocado no culto de domingo de manhã ou que deveríamos levar as crianças para fora da igreja para o momento delas. Entendemos que pelo menos por uma hora de tantas horas na semana deveríamos manter o máximo de reverencia e solenidade.

Mesmo que já tenha dito isso, eu vou repetir mais uma vez até porque gosto desta frase: Deve haver uma intensa e contínua reverencia neste momento. É claro que este argumento vai trazer o peso da responsabilidade aos pais que realmente amam este encontro com Deus na adoração e realmente querem que seus filhos cresçam e aprendam estar no mesmo ambiente que eles. Por isso, o maior obstáculo para as crianças no culto são os seus pais que não prezam pela sua própria adoração. Eles não amam o culto. As crianças sentem a diferença entre dever e prazer. Elas sabem se seus pais amam estar no culto.

 Portanto, a primeira e a mais importante tarefa de um pai é desejar ardentemente a adoração a Deus. Qualquer sensação de estar neste momento apenas pelo dever, ou pela mera obrigação, ou qualquer outra razão que não seja o amor pela adoração, as crianças sabem disto e elas vão odiar estar ali tanto quanto você também odeia. Você não pode dar aquilo que não possui. E é isso que eles vão receber de você. Você quer que eles aprendam o que é um culto autentico. A adoração autentica, verdadeira é a coisa mais valiosa na experiência humana. Pense nisso. O efeito acumulativo de 650 cultos com a mãe e o pai em uma autentica comunhão com Deus e o seu povo com seus filhos de 4 à 17 anos de idade não tem preço. Isto é incalculável!

O objetivo é que as crianças aprendam a amar o culto. Que aprendam a adorar a Deus com paixão por verem seus pais desfrutando disto, semana após semana. Qual seria o impacto se as crianças vissem seus pais durante 12 anos seguidos com as mãos no rosto orando, contritos se preparando para o culto no momento do preludio? Qual seria o impacto se elas vissem sua mãe e seu pai radiantes de alegria em entoar louvores a Deus? Pense nisso. Milhões e milhões de crianças não veem seus pais cantarem e muito menos cantarem os cânticos alegres em adoração a Deus. Me parece que algo está muito errado quando os pais entregam seus filhos, exatamente na idade que estão em processo de formação a companhia de outras crianças e adultos para terem seu comportamento e caráter moldado sobre o culto ao invés de tê-los ao seu lado para que eles mesmos sejam ensinados pelos seus pais. Por que os pais não estariam contentes pelo fato de serem modelo para os seus filhos quando os ensinam a valorizar a adoração alegre e reverente na presença do Deus todo poderoso?   

Agora, eu sei que isso diz muito a respeito a suas mentes. Temos que admitir: eles ainda são principiantes. Por exemplo, a língua inglesa está em suas mentes logo que eles saem do útero. Mas nós não dizemos: “Bem, vamos coloca-los com outras crianças que também são limitadas para que possam aprender uma ou duas palavras. ” Não. Nós a mergulhamos em nosso idioma todos os dias sabendo que mesmo que não compreendam 90% do que falamos, mas, pela convivência diária temos a expectativa e esperança de que ao longo do tempo, eles alegremente dominem o idioma da mesma forma que nós. Isto também se aplica a adoração. Muito antes de nossos filhos entenderem o significado de cada parte do culto, o que é lido, o que é cantado, o que é orado e pregado, ainda pequenos já estão assimilando uma enorme quantidade de informações e princípios valiosos sobre a adoração.   

E isso é tão verdade até mesmo quando eles demonstram estarem entediados. A música e as palavras lhe são muito familiares. Com o tempo a letra de uma música vai se aprofundando na mente delas. Com o tempo elas irão assimilar cada momento do culto. Mesmo que a maior parte do sermão vá para a parte direita de sua mente, a experiência tem demonstrado que as crianças lembram informações que foram marcantes em sua lembrança. O conteúdo das orações, músicas e do sermão dá o privilégio único para ensinar a seus filhos as grandes verdades da fé. Eis uma grande oportunidade. Se os pais aprenderem a indagar seus filhos e explicar a eles o que foi cantado e falado no culto, isto será muito mais valioso para o crescimento deles ao longo do tempo no conhecimento sobre Deus.

O sentimento de solenidade e reverência é algo que as crianças devem exercitar na presença de Deus. Elas devem perceber que este é um momento sagrado e um lugar também sagrado. Esta é uma experiência que elas não terão no culto infantil. E, infelizmente é provável que isto também não tem acontecido com muitos adultos quando no momento da adoração consideram em primeiro lugar as conversas paralelas e triviais, uma alegria exagerada e entusiasmo horizontal em vez da alegria e o entusiasmo vertical. O objetivo de tudo isto é despertá-los não apenas a ternura e a intimidade com Deus, mas também, a percepção clara de Sua grandeza e majestade.

Portanto, estas são algumas considerações do porque é tão importante ter os nossos filhos no culto solene. Há muito mais coisas para serem ditas aqui. Especialmente sobre a familiaridade e a disciplina aplicada em nossos lares para que tudo isto se torne possível. Mas, você pode ir ao artigo e verificar com mais detalhes o que a minha esposa Noel tem a dizer sobre esta questão do ensino e preparação de nossas crianças em casa. Como disse anteriormente e com sinceridade, a razão de nos encontrarmos solenemente com o Deus vivo deve ser acima de tudo o nosso amor e desejo pela Sua presença. Essa deve ser a maior razão de nós pais em relação ao culto. E não há melhor lugar ou hora para estarmos com os nossos filhos.

John Piper é fundador e professor do ministério Desiring God e chanceler do Bethlehem College & Seminary. Por 33 anos serve como pastor da Bethlehem Baptist Church, Minneapolis, Minnesota – EUA. É autor de mais de 50 livros incluindo Peculiar Glory.

Tradução livre: Rogério Bernini Junior




[1] Este artigo é um áudio transcrito do programa “pergunte ao pastor John” de uma questão feita pelo Sr. Robert de Columbia, Carolina do Sul O ao Pr, John Piper publicado no dia 15 de agosto de 2016 pelo site do ministério Desiring God.
[2] Veja que a pergunta do Sr. Robert reflete os argumentos predominante a favor do culto infantil. Em geral estes argumentos seguem uma lógica pragmática, psicologizada e emocionalista que acabam por sensibilizar muitos a se posicionarem a favor da separação das crianças dos adultos do culto solene.
[3] Existem 3 posicionamentos sobre a questão da participação das crianças no culto solene. Primeiro grupo: elas devem participar do culto solene junto com os seus pais. Segundo grupo: Não a problema em separas as crianças em uma sala no momento do culto principal com os adultos para que elas recebam a mensagem do evangelho em sua própria linguagem e idade apropriada. Terceiro grupo: elas devem participar com sues pais do culto, mas, o pastor deve preparar um sermão apropriado a linguagem delas no momento do culto solene.  
[4] É bom que se ressalte o fato de John Piper não ter eliminado os professores do departamento infantil da Escola Bíblica de sua igreja. A questão estava relacionada apenas com o culto principal do domingo em relação a participação das crianças com os pais no ajuntamento solene.    

quinta-feira, 2 de junho de 2016

MÚSICA NA PERSPECTIVA REFORMADA - A SIMPLICIDADE E A MODÉSTIA NA ESTÉTICA E PERFORMANCE MUSICAL

Pintura de J. Vermeer (1665) que representa claramente o espírito
da arte renascentista que influenciou os neoclássicos
por meio da simplicidade sem perder a sofisticação  também
aplicada pelos reformadores na música. 
Nos artigos anteriores a este, verificamos os dois primeiros critérios aplicados a música de forma geral no pensamento reformado. O primeiro critério é que tudo deve passar pelo crivo da glória de Deus. a música deve ser produzida com o objetivo de destacar a beleza e a majestade de Deus como sinal de gratidão e adoração a Ele. 

O segundo critério é o crivo da Escritura, ou seja, toda música deve ser cantada e tocada a partir do conteúdo e da autoridade da Palavra de Deus. A Bíblia é a referencia absoluta para que todas estas musicas glorifiquem a Deus. 

O terceiro critério claramente verificável é que tudo deve ser feito com modéstia e simplicidade. Para os reformadores a questão da forma e da estética a música não era o ponto central. Os reformadores sempre se preocuparam mais com o conteúdo que se produziu em suas obras artísticas, especialmente quando usam o recurso direto e explícito da linguagem e da palavra escrita como é o caso da música, a literatura e o discurso.  

Eu me arrisco a dizer que em três séculos (do séc. XVI ao XVIII), tanto os nossos primeiros pais na reforma como os seus ancestrais, se dedicaram mais a escrever e falar do que até mesmo compor música. Os nossos pais puritanos por exemplo, foram hábeis teólogos, literários, juristas, romancistas, economistas, os precursores da chamada educação moderna.

Mas, no campo da música, foram tão habilidosos quanto em outras áreas. Produziram  incontáveis composições sendo que muitas delas ficaram no anonimato. Exatamente porque os nossos pais puritanos produziam suas músicas para o seu uso cotidiano e comunitário. Este inclusive, é um dos primeiros aspectos que claramente nos mostram o quanto eram discretos, não eram dados ao desejo do prestígio artístico e muito menos gananciosos. Não viam a arte como um mercado, mas como uma dádiva de Deus para o seu deleite pessoal e espiritual. 

Talvez, eu consideraria este o motivo de não encontrarmos um rico acervo neste ramo artístico em relação aos reformados dos séculos passados. Contudo, não se pode negar que há um incontável acervo de hinos e cânticos metrificados de textos bíblicos especialmente os salmos. Nossos hinários são a prova clara disto. 

Mas, ainda é importante destacar que alguns grandes compositores se destacaram não como ídolos, mas, como as mentes pensantes da música. Por exemplo, desde o século dezesseis que estes gênios da música ocidental viveram sob a influência da cosmovisão reformada como Clément Marot, Luis Bourgeois, Johan Sebastian Bach, seu filho Johan Christian Bach e George Frederick Handel. A música barroca protestante é um resultado disto. 

Sito aqui dois compositores e poetas que musicalizaram os hinos do conhecido Saltério Huguenote, ou, como mais tarde por iniciativa de Calvino e Teodoro de Beza, foi compilado o saltério de Genebra por Clément Marot e Teodoro de Beza que até os dias de hoje é usado por diversas congregações reformadas e presbiterianas espalhadas pelo mundo.

Marot e Beza sempre presaram por melodias mais simples, modestas, que fossem de claro e fácil entendimento da congregação, com tonalidades acessíveis para que todos pudessem cantar com vigor e entusiasmo. Nas congregações calvinistas, não era comum o canto polifônico (com divisão de vozes como no caso dos luteranos e anglicanos) mas todos cantavam em uníssono no intuito de que os arranjos não chamassem mais a atenção do que aquilo que estava sendo cantado, ou, por vezes acompanhado de instrumentos musicais.

A simplicidade na expressão artística não foi uma novidade para os reformados. Provavelmente foram influenciados pela mentalidade medieval antiga (que foi do século VIII até XII) como também pelo renascentismo que teve seu início em meados do século XV. A máxima que dizia; "quanto mais simples, mais sofisticado" provem exatamente de um artista renascentista - Leonardo Da Vinci que disse: "A Simplicidade é o ultimo grau de sofisticação"

Isto, já nos dá uma excelente lição de como devemos lembrar que, a simplicidade não significa superficialidade, pelo contrário, o adorno de toda obra não pode ser apenas o que a grada o nosso gosto. Por isso que na música todo o cuidado é pouco no que diz respeito a arranjos musicais, o uso de instrumentos e vozes adequadas para se tocar e cantar uma música. Mais ainda, este critério é muito bem explicitado quando se trata do culto solene. É possivel verificar o quanto, ao mesmo tempo a simplicidade das musicas e dos hinos reformados também eram em certa medida de um alto padrão e de uma riqueza e complexidade artística impressionante.   

No que diz respeito a isto, dois nomes se destacam em suas performances eruditas – J. Sebastian Bach e G. Frederich Handel. Em especial, Bach, não era estritamente reformado e sim luterano, mas por influencia da reforma protestante, foi considerado um dos maiores precursores da chamada música ocidental moderna. Bach é um marco ou um divisor de águas na história no que diz respeito à música. A partir dele que a universalização da linguagem musical se concretiza no século dezesseis, e suas obras se tornaram referência até os dias de hoje nos estudos, técnicas e teorização em diversas áreas da música moderna e contemporânea.

Se costuma dizer que Bach por ter desenvolvido com tanta precisão e riqueza a chamada harmonia funcional e a possibilidade de criar frases melódicas como harmônicas sem necessariamente seguir a partitura (o dito improviso) é o pai do Country, do jazz, blues, Rock, me arrisco a dizer (se é que alguém já não disse) da Bossa-nova, do Samba, etc.  

Contudo, Bach não compunha peças grandes. A grande maioria de suas músicas foram encomendadas semanalmente pelas igrejas protestantes (em sua maioria luteranas, mas também, calvinistas). Bach não usava grandes orquestras e coros sinfônicos. Pelo contrário, os números máximos de cantores em suas performances não passavam de 8 à 10 componentes. Seja pelas condições monetárias limitadas, mas também por uma questão de opção já que Bach não queria saturar ou desfigurar os cultos dominicais com tantos instrumentos e vozes.

Isto nos mostra que os reformadores não desprezaram os adornos externos destes recursos. Eles entendiam claramente que as modalidades e a estética eram instrumentos poderosos na comunicação de seu conteúdo. Tão poderosos que realmente deveriam ter todo o cuidado em não abusar de tais recursos e técnicas.

Eles não eram contra a beleza e a alegria das coisas, mas, eram muito cuidadosos com os exageros, as extravagâncias e as trivialidades que poderiam predominar nas músicas sejam elas tocadas e principalmente cantadas. Tais cuidados eram motivados pelo desejo de que o entendimento e a razão não fossem ofuscados pela beleza estética em si mesma. Se isto acontece no momento do culto, perigosamente toda a congregação reunida em assembleia este em grave pecado contra Deus e a sua Palavra.

É importante lembrar o quanto os reformados tem a preocupação de que não se venha ferir o Princípio Regulador do Culto no uso da música na adoração pública. A estética musical deve ser a mais simples possível, mas sem perder a sua beleza e a sua sofisticação. Um compositor deve ser capaz de discernir qual é o ponto em que sua música deve estar em todas as suas respectivas partes para que ela não se torne uma um peso em si mesmo ou, um ídolo em nossa própria imaginação. 

Até o próximo artigo desta série. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

SOBRE A IDÉIA DE QUE CANTATA É UM TIPO DE CULTO

           
Já se tornou mais do que uma prática comum, a cultura “evangélica” das cantatas seja de natal ou de páscoa, e tantas outras que aparecem no mercado dos musicais estilo Broadway. O que mais me intriga sobre esta questão é que este gênero musical entrou em muitas de nossas igrejas substituindo os cultos até mesmo dominicais. A quem já diga sem peso na consciência que isto é um tipo de culto.

            Não entrarei no mérito das cantatas ou concertos musicais em si. Este é um assunto para outro momento. Apesar de que aprecio muitas obras musicais feitas com seriedade, conteúdo bíblico e com qualidade artística. A expressão cultural e artística faz parte das coisas boas que Deus nos deu para a Sua própria glória e para o nosso deleite pessoal.  

            Mas em relação ao culto, por favor, é de extrema importância que você entenda algo muito simples. Cantata não é culto solene. Não confunda as duas coisas. São duas atividades diferentes com propósitos diferentes. E vou dar as devidas razões aqui no presente artigo.

            Inicialmente vamos a definição de cantata. Ao contrário do que muitos pensam, cantata não é um gênero novo no mercado da música. As cantatas têm sua ascensão no período barroco (século XVI) com Johan Sebastian Bach. Provavelmente ele tenha composto mais de duzentas cantatas ao longo de sua carreira.

                As cantatas originalmente tinham o propósito de contarem uma história de cunho bíblico ou religioso como por exemplo a 32ª cantata, ou, conhecida como BWV 147ª intitulada “Herz und Mund und Tat und Leben” (Corações e boca, ações e vida) dividida em dez movimentos, ou seja, cada movimento era uma cena ou um capítulo desta história. As mesmas eram compostas para pequenos coros e uma pequena orquestra de câmara (com 2 violinos, 2 violas, 2 cellos, 1 baixo, 2 oboés, 2 flautas, as vezes, 1 trompete 1 trompa, orgão e 1 cravo).

            A partir do período romântico (seculo XIX e inicio do séc. XX), agora usando grandes orquestras e coros, os compositores passaram a usar este mesmo gênero para compor sinfonias e óperas com conteúdo profano, irreverente e satirizado como é o caso da famosa e intrigante peça Carmina Burana(Canções de Beuern ou de Benediktbeuern), musicalizado por Carl Orff em 1936 sendo esta um conjunto de poemas dramatizados dividindo-se em 5 grandes temas – cantos satírico moral; cantos de primavera e de amor; cantos orgiásticos e festivo, Carmina a divina; cantos moralístico sacro e por fim, Ludi jogos religiosos. 

            Ao longo dos anos, as cantatas deixam de ter sua conotação sacra se transformando em grandes novelas musicalizadas, em grandes espetáculos com temas totalmente secularizados e de cunho inteiramente comercial. Diga-se de passagem, as cantatas ou musicais  evangélicos tiveram uma grande influência deste gênero agora pós modernizado. 

             Estes musicais passam a utilizar os mesmos recursos técnicos, os mesmos estilos e referências na construção dos textos, a métrica, melodias, estrutura harmônica, os mesmos estilos musicais aplicados nos grandes espetáculos do mundo a fora sendo necessário que os seus cantores realizem performances com a gesticulação de sua face, as vezes até mesmo coreografias sincronizadas com a dinâmica e o conteúdo da canção. Na verdade, os grandes musicais teatralizados do mundo contemporâneo que são hoje reproduzidos com objetivos comerciais são uma reprodução clara das clássicas óperas e musicais antigos de tabernas como dos grandes cabarés dos séculos passados. Em nada tem a ver com as cantatas originais de J. Sebastian Bach.  

            Sendo assim, já deu para perceber que não cabe a ideia de se produzir uma cantata em um culto solene e muito menos afirmar que cantata é um tipo de culto solene. O propósito da cantata é inteiramente o concerto, o entretenimento, a diversão ao público. O culto solene em uma perspectiva bíblica não tem o objetivo de entreter pessoas, mas, é um momento estritamente solene, reverente, um ato de adoração pública de forma Teocêntrica (adoração somente ao Deus Trino). 

            Ao contrário do que se propõe em uma dramatização musical, o culto deve ter o seu caráter solene, autoritativo, religioso, didático, simples e objetivo. Não há espaço no culto para concertos, shows, apresentações, solos individuais e com destaques a voz ou a instrumentos. Os cânticos e hinos devem ser apenas cantados por toda a congregação. E mais, devem apenas cantar o que está nas Escrituras. Isto caracteriza um culto a Deus conforme a Palavra de Deus.

             Há de se lembrar que cada parte do culto e a suas atividades na adoração a Deus são determinadas nas Escrituras. Os reformadores chamavam isto de Principio Regulador do Culto, ou seja, Como a Escritura nos diz o lugar (um local apropriado), o momento (O dia do Senhor – o domingo), a ordem (que chamamos de liturgia) e as atividades (que são os elementos de culto)? Se a Bíblia não menciona qualquer outra atividade ou ordem, significa que aquilo não faz parte do culto solene a Deus.

            Por exemplo, o que se deve fazer no culto. A Bíblia só menciona de forma clara e objetiva os seguintes elementos: 1) leitura pública da Palavra; 2) orações proferidas; 3) orações cantadas (a musica); 4) a pregação da Palavra; 5) a ministração dos sacramentos e, 6) o ofertório. Estes são os elementos da culto. Não há danças, não se menciona dramatização ou o teatro, a Bíblia não fala de apresentações ou concertos musicais, não fala de jograis, declamação de poesias, e, muito menos de cantatas.

            É bom que se lembre. Progressivamente a ideia de um culto solene, simples, reverente, limitado apenas ao que a Escritura ordena está sendo mudado na mente desta atual geração "evangélica". Estamos perdendo a noção de limites em relação ao uso da música no culto. Os cristãos de hoje, seja por ignorância intelectual, cultural e bíblica não conseguem distinguir quando a música deixa de ser uma expressão artística e se torna um elemento de culto apenas a serviço da adoração pública a Deus.

            A exemplo disto, em dezembro de 2015 a famosa igreja Hillsong (de Londres) reproduziu um musical de natal intitulado “This is Christmas! (Isto é natal). A primeira vista estava certo que era um número da Broadway tamanha era a sensualidade e o erotismo na performance dos músicos dançarinos e os cantores especialmente na música “SilentNight”.

            Há muito tempo venho dizendo que a Hillsong como outras (nem todas) megas igrejas são um modelo de "igreja emergente", ou seja, uma "igreja" que deseja se ver livre de rótulos teológicos, litúrgicos e denominacionais. Claramente um modelo que propõe uma estrutura relativista e que estimula uma mentalidade pluralista.

            A crise da falta de crescimento numérico de muitas de nossas congregações locais tem feito com que bajulemos esse tipo de modelo contemporâneo de “adoração”. Um modelo que corrompe os princípios bíblicos de como Deus quer ser cultuado.


Vamos nos atentar para o grande perigo que corremos quando profanamos aquilo que deve ser tratado com muita seriedade, entendimento e piedade. Receio que pulamos de cabeça no movimento de adoração contemporânea como que meninos desavisados e eufóricos. Só esqueceram que este movimento é como um rio turvo. Um rio muito escuro e perigoso. Ninguém sabe o que há no fundo deste rio. Igrejas que estão pulando nestas águas turvas estão cometendo suicídio espiritual. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

MÚSICA NA PERSPECTIVA REFORMADA - O CRIVO DA ESCRITURA

Este é o segundo artigo da série MÚSICA NA PERSPECTIVA REFORMADA onde apresento de forma simples e objetiva os critérios observados pelos reformadores em relação a música como expressão artística no seu dia dia e principalmente o seu uso no culto solene. 

O primeiro critério analisado no artigo anterior foi que todas as músicas deveriam passar pelo crivo da glória de Deus. Em outras palavras, a música seja na sua estética, forma e principalmente seu conteúdo devem expressar a beleza, a santidade e a majestade de Deus. Nenhuma outra intenção deve conduzir a mente de quem faz como de quem ouve musica senão o princípio de que tudo deve ser feito para glorificar a Deus. 

O segundo ponto a ser observado no presente artigo é: tudo deve ser feito com base e fundamentação estrita da Escrituras. Ou seja, não se deve falar, escrever, retratar, pintar, esculpir, cantar qualquer coisa sem o devido crivo da Bíblia. Não se deve, por exemplo musicalizar qualquer ideia, frase, ou texto que não esteja ao menos de acordo com a Escritura e todas as suas doutrinas expostas pelo próprio Deus em Sua revelação. Isto independe de ser ou não usado no culto solene.

A primeira coisa que os reformadores tinham em mente era que, em todas as esferas da vida, a consciência do homem deve ser dominada somente pela Palavra de Deus. Não seria diferente com relação a música. Se um musico, cantor, compositor, poeta, ou, qualquer pessoas que se deleitasse apreciando uma canção não a colocasse no crivo da Escritura, a sua música como sua atitude não glorifica a Deus. 

No bom sentido da expressão, os músicos e compositores do período da reforma, abusaram de todos os recursos que a Bíblia poderia lhes oferecer quanto ao seu conteúdo. Realmente prezaram em colocar em prática o que o apóstolo Paulo por duas vezes ordenou primeiro em Colossenses 3: 16 e também em Efésios 5: 19. 

Quase 1450 anos antes dos reformadores, o apóstolo Paulo foi quem deixou prescrito de forma mais explicita o uso correto da música seja no cotidiano, mas em particular, no culto solene. Foi ele mesmo que disse que deveríamos em nossas conversas e canções louvar a Deus com os salmos, hinos e os cânticos espirituais. Este princípio foi muito bem resgatado por nossos pais na reforma através do lema sola scriptura (Somente a Escritura). 

Mais precisamente, os reformadores restauraram para adoração pública o saudável hábito de cantar os salmos já que didaticamente os mesmos foram por inspiração divina escritos não apenas para a sua leitura e meditação diária ou litúrgica, mas o saltério também era o seu hinário oficial no cultos. 

O hábito de cantar os salmos inspirados nunca foi uma novidade para os reformadores. Não é preciso mencionar o fato de que a igreja primitiva, por ter sido influenciada pela tradição sinagogal da religião judaica cantavam os salmos como outros cânticos do Antigo Testamento. Mas, é importante frisar que nem tudo estava perdido no período medieval. A igreja daquela época em seu excessivo e idólatra mas, providencial zelo mantiveram a tradição de cantar os textos sapienciais e poéticos da Escritura. 

Podemos assim dizer que por esta tradição histórica desde a igreja antiga e medieval, foi que Lutero não jogou na lata do lixo toda esta bagagem musical sacra. Obviamente, os cânticos direcionados aos santos e a Maria como intercessora, foram abandonados imediatamente pelos protestantes espalhados por toda Europa ocidental. Lutero como outros compositores, assimilam uma fórmula mais simplificada e popular de entoarem seus hinos. O canto congregacional está de volta como o cumprimento a ordenança bíblica de cantar os salmos, hinos e cânticos espirituais.  

Mas, por que cantar as escrituras? Muito simples a resposta. João Calvino afirmou que a ordenança de se reunir no dia do Senhor não foi com o intuito de entreter pessoas, mas que, Deus deseja que o culto seja útil para todo o seu povo, e que, todos fossem instruídos a usarem a inteligencia em tudo que fosse ordenado para sua edificação.[1] Em outras palavras, os reformadores entendiam que era irrevogável o uso do entendimento, e o exame de consciência por meio da mensagem transmitida através da letra de uma música. 

Em suma, a Escritura deve ser comunicada a nossa consciência por atividades que diretamente lidam com a linguagem escrita (meio pelo qual foi registrado a revelação de Deus ao seu povo). Por isso, os elementos de culto são a oração, a leitura publica da Bíblia, o canto congregacional, ministração dos sacramentos e a pregação. Calvino preferia resumir estes elementos em três grupos básicos: as orações públicas, a pregação da Palavra e os sacramentos. Em relação as orações, se dividiam em dois grupos: Oração proferida e as orações cantadas. 

A música como elemento de culto é o meio pelo qual Deus nos envolve com as verdades de Sua Palavra. O culto racional (Rm 12: 1) deve ser a adoração consciente, inteligível, aquela que nos conduz a razão sobre o que estamos cantando e por que estamos cantando. A razão e a sobriedade devem fazer parte de uma adoração que nos leve a entender e a amar a Palavra de Deus. Sendo assim, para os reformadores, os salmos eram os textos sagrados mais adequado para envolver didaticamente a congregação a estas verdades. 

Não foi atoa  que João Calvino, quando pastoreou por 3 anos a igreja de Estrasburgo se encantou com a coletânea de mais de 30 salmos metrificados que fora elaborado em sua maior parte por Clement Marot. Quando retornou a Genebra para dar continuidade ao processo de reforma, decidiu adotar o mesmo hinário que posteriormente ficou conhecido como 'Saltério de Genebra'. Obviamente, Calvino logrou esta honrosa tarefa a Theodoro de Beza, Clement Marot, Louis Bourgeois e posteriormente Pierre Davantés que completou toda a coleção com mais de 83 salmos em melodias originais.  

Sendo assim, a preocupação dos reformadores não era outra senão que os hinos e cânticos fossem entoados com o intuito de serem orações proferidas diretamente dos textos inspirados (que em sua grande maioria eram os salmos metrificados). O próprio reformador João Calvino é quem mesmo disse que - é preciso haver canções não somente honestas, mas também santas, que como aguilhões nos incite a orar e a louvar a Deus e a meditar nas suas obras para amar, honrar e glori­ficá-Lo.[2]

Infelizmente, é muito comum os nossos pais reformados serem acusados de radicalismo e legalismo quanto ao uso da música no culto solene. Esse não era meramente um zelo excessivo ou legalista destes homens, mas, uma intensa devoção a Cristo e a sua Palavra de modo que desejavam expressar todo o seu amor pela Escritura e pelo seu Autor. Em suma, eles amavam a Palavra do Senhor de maneira que, em todas as atividades realizadas no culto deveriam explicitamente usar a Bíblia. 

Eles entendiam que A Bíblia norteava por meio do Principio Regulador do Culto (a doutrinas que regulam o modo de cultuar a Deus na Bíblia) o modo como a música deveria ser aplicada corretamente na adoração pública. E neste ponto, ao contrário do seu uso no cotidiano, no culto a música está restrita apenas ao canto coletivo e do conteúdo da Palavra de Deus. Em suma, o legado que os reformadores nos deixaram foi: NO CULTO TODOS DEVEM APENAS CANTAR AS ESCRITURAS. 

Em breve próximo artigo da série. 




[1] Prefácio de Calvino da introdução ao Saltério de Genebra – 10 de junho de 1543. 
[2] Idém. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

MÚSICA NA PERSPECTIVA REFORMADA - O CRIVO DA GLÓRIA DE DEUS

Pouco se ouve falar sobre o que os reformadores pensavam e aplicavam em seu cotidiano como também no culto solene em relação à música. Erroneamente, muitos pensam que os reformadores eram avessos à arte e à música. 

Ao contrário, eram sensíveis e dedicados à produção de riquíssimas obras, em especial, à música com alto nível e qualidade em seu conteúdo e performance. Salomão Franck, mesmo não sendo um reformado estrito e sim um luterano (1659 - 1725), um jurista em Weimar (Alemanha), mas também um homem dado a poesia, foi ele o autor de grande parte dos textos originais da mais famosa cantata de J. Sebastian Bach intitulada "Corações, boca, ações e vida" (BWV 147). 

Martin Janus, que também fora contemporâneo de Bach e Franck, foi pastor, poeta, músico e diretor de música de diversas igrejas protestantes, dentre estas, muitas calvinistas. Para nossa surpresa foi ele o autor do texto original da mais famosa música da cantata: "Jesus, alegria dos homens" (10º movimento desta cantata). Diante disto, Como alguém pode afirmar que os reformados não eram sensíveis a arte?

O exemplo destes dois homens não só mostram que eram hábeis, mas também zelosos e criteriosos no uso desta ferramenta poderosa que age diretamente na consciência do homem. Eles sabiam que a mente humana não poderia ser contaminada com pensamentos e conceitos frívolos e mundanos. A única mensagem que deveria reinar sobre a consciência de uma pessoa cristã era a Palavra de Deus. Concernente à música, o próprio reformador João Calvino  disse que "existe raramente no mundo qualquer coisa que seja mais capaz de virar e corromper os homens do seu caminho e da sua moral." 

Por isso, me proponho de forma simples e objetiva expor uma série intitulada - MÚSICA NA PERSPECTIVA REFORMADA apontando alguns critérios que eram e ainda são claros e muito bem explicitados na vida e  devoção dos reformadores, como também na de seus sucessores ao longo de pelo menos três séculos (desde o século XVI até o final do século XVIII). 

Se somos os herdeiros diretos deste sistema de vida e de sua teologia é necessário, portanto, conhecer a música em sua perspectiva reformada. Muitos que se declaram calvinistas ou presbiterianos não tem conhecimento suficiente de como deveríamos aplicar este poderosíssimo recurso de forma correta e bíblica no cotidiano e principalmente no culto solene. Sendo assim: 

O primeiro ponto que percebo ser claramente um critério inegociável é: o princípio de que tudo deve ser feito para a glória de Deus. Não foi mera coincidência que os ‘divines’ da assembleia de Westminster colocaram como primeira questão a seguinte pergunta: QUAL É O FIM PRINCIPAL DO HOMEM?

Com a devida precisão e profundidade a resposta é muito simples: o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Veja que não é algo muito difícil de entender. Em geral, a preocupação dos reformadores era ressaltar em seus hinos e cânticos a beleza e a santidade do Senhor. Lembrar da bondade e das misericórdias do Senhor como também a sua grandeza, o seu poder e a sua majestade. 

Os artistas que por convicção eram reformados tinham em suas obras o registro notório de apenas um tema: a glória de Deus. Como faziam isto? Simples!  Basicamente, o que eles tinham em mente não era retratar, pintar ou esculpir  a Trindade. Aliás, isto foi muito explorado pela visão romanista na arquitetura, pintura e escultura. Um artista reformado sabia que deveria estar atento em não quebrar o primeiro e segundo mandamentos. 

Por exemplo, um pintor retratava em suas telas cenas do cotidiano como: família ao redor da mesa no momento da refeição, as boas conversas, as paisagens naturais, as plantações, as colheitas, mães cuidando de seus filhos, o Dia do Senhor, ou seja, tudo isto tinha um único objetivo: A gratidão. O tema central de todas as expressões artísticas era o contentamento com a providência e a graça de Deus.

Com respeito ao uso da música no cotidiano, os reformadores, não desprezavam a sua diversidade e riqueza. Na verdade, eles eram bem atentos ao espírito de sua época que por sua vez era influenciado pelo Renascentismo e  Barroco. Os reformadores não deixariam de ouvir uma boa música ‘secular’ ou popular se, em toda a sua estrutura melódica, estética e  conteúdo, glorificasse a Deus e fosse proveitoso à sua santificação, se esta música o levasse ao regozijo não de suas vontades pecaminosas, mas, o gozo de uma alma grata, satisfeita e contente com o cuidado de Deus em sua vida.

Mais precisamente, este é um princípio que nos reporta ao conteúdo dos cânticos e hinos que deveríamos cantar no culto solene. De forma contundente a minha afirmação sobre este ponto é muito simples, porém de suma importância – Os hinos e os cânticos espirituais devem em toda a sua temática nos remeter de forma direta e objetiva à glória de Deus,  Sua majestade,  Seus atributos,  Sua benevolência e graça para conosco, Sua justiça e todas às Suas obras.  

Por exemplo, toda a temática de uma música deve ser conduzida por este princípio. Ou seja, um hino que fale de provações o foco não é o sofrimento, mas a glória de Deus, porque o que nos consola diante de uma oração cantada não é falar do sofrimento em si, mas nos gloriarmos na esperança da glória de Deus (Romanos 5: 2).

Hinos e cânticos que falam de qualquer assunto, mesmo que mencionem textos da Escritura ou que nos reportam a qualquer contexto, história e doutrina que estejam na Bíblia, mas não lançam nossos pensamentos e coração à glória de Deus, não devem fazer parte da nossa adoração pública, e diria até mesmo que tais músicas não deveriam fazer parte de nosso gosto pessoal. 

Portanto, isto cabe em todos os outros casos. Se cantarmos salmos, hinos e cânticos que mencionem qualquer doutrina da Escritura, tais letras devem sempre fazer com que nós falemos, oremos e pensemos sobre a glória de Deus. Aliás, me adianto em dizer que os reformadores eram precavidos quanto a este ponto. Para evitar este problema, eles apenas cantavam a Escritura. Não há sequer qualquer texto da Escritura que não nos reporte de forma direta à glória de Deus e o louvor a Ele. Por isso, se desejamos evitar as heresias e as profanações em nossas músicas, apenas devemos cantar o que está na Escritura. 

Em breve próximo artigo.